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domingo, 16 de julho de 2017

Você ouve quando o o corpo te convoca a SER FELIZ?

O que faz sua alma cantar? Quando o corpo chama através da dor, quando a insatisfação não deixa o plano de fundo da sua vida, é hora de escutar e reencontrar dentro de si o poder de ser feliz.




***Workshop Descobrindo a Mulher Essencial 2017***
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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Quando a humanidade sofre por amor

"Em meio a doenças de características diversas começa a corrida para diminuir a dor. Uma busca desesperada por algo que atenue o sintoma: uma festa, uma droga, um seriado, um medicamento ou ainda qualquer tipo de relacionamento. Tudo para ofuscar a incapacidade interna de burlar o condicionamento social e se admitir sensível e incapaz de viver de forma tão artificial e incoerente com o coração."


Existe uma solidão assolando a humanidade.

As pessoas se comunicam o tempo todo através de dispositivos e redes sociais, mas ainda assim se sentem sós como nunca. É como mascar chiclete quando se está com fome: o coraçãozinho da mensagem nunca nutre e acolhe como um ato de amor real, pessoal, com olhos nos olhos, mão na mão. Nenhuma mensagem é capaz de substituir o calor do corpo, um abraço, uma mão no ombro em momentos de dificuldade.

“Olhe para mim”. Eu sinto que a humanidade diz o tempo todo “Olhe para mim!”. “Olhe nos meus olhos, segure a minha mão, escute o meu coração. Por favor, olhe para mim...”
Mas olhares são cada vez mais raros hoje em dia. Por detrás dos sorrisos nas fotos, as pessoas seguem mecanizadas, reprimidas, doentes. Tudo é tão veloz e os momentos de prazer são curtos. Paira um desejo intenso de eternizá-los nas fotos que nunca são revistas até que se perdem na nuvem de stress e ansiedade.

Em meio a doenças de características diversas começa a corrida para diminuir a dor. Uma busca desesperada por algo que atenue o sintoma: uma festa, uma droga, um seriado, um medicamento ou ainda qualquer tipo de relacionamento que ofusque a incapacidade interna de burlar o condicionamento social e se admitir sensível e incapaz de viver de forma tão artificial e incoerente com o coração.

E a alma continua dizendo “olhe para mim”...

O filho nasce. Os pais estão já mecanizados, tensos numa forma de descobrir como sobreviver neste mundo veloz em que metas são estabelecidas acima dos limites da humanidade. A criança diz “olhe para mim!”. Ela chora, ela adoece, apresenta distúrbios de comportamento, escolares... Os pais que têm condição entregam a cuidadores, médicos, terapeutas e educadores. Os que não tem condição entregam a outros irmãos, outras crianças que vieram dizendo “olhe para mim”. Entregam a brinquedos, a jogos ou à sociedade. No trabalho, ninguém me olha. É preciso ser produtivo, implacável, responsável, trabalhar bem sob pressão. Eu chego em casa e peço ao meu companheiro ou companheira “olhe para mim”. Mas será que ele aprendeu a olhar? Será que ele se lembra como olhar? O que é um olhar? Ou ele só aprendeu enquanto seu pai lia o jornal e sua mãe cuidava da casa e dos irmãos que é melhor desistir do olhar? Aprendeu baixar as vistas no celular, num computador buscando o olhar alheio nas curtidas para suas publicações?

É uma questão de tamanho de dor: uma ausência do olhar de quem se ama dói mais do que a ausência de curtidas numa publicação. Sempre se pode dissociar, buscar um vídeo engraçado ou polêmico e assim esquecer-se de si e de sua dor.

Mas agora, mesmo aparentemente tão conectada, moderna e evoluída, a raça humana pede socorro. A natureza de “ser social”, “ser familiar”, grita e exige “Olhe para mim, me ensine a ser humano. Me ensine o que é compaixão, empatia, acolhimento. Me ensine o que é amor”
Amor não se aprende em textos. Não se exercita em curtidas. O amor se aprende nos pequenos atos presenciais. No toque, no olhar, no suspiro. No que é dito e não dito, mas vivenciado junto. No grito, no choro depois do grito e no abraço que vem depois do choro. Na raiva, na agressão e no perdão depois que vem depois agressão. No olhar profundo que vê por dentro, e também do que lembra tudo o que foi construído, sentido, sofrido e que já passou, deixando apenas o aprendizado e a sabedoria que se usufrui e vive JUNTO.

São tempos estranhos esses... Tempos de “Baleia Azul”, e também de “balas”, “doces”, de “cala boca e beija logo”, de “preparadas”, “ordinárias”, “novinhos”, “sofrência”. Mas não é a primeira vez que as pessoas se autodestroem por falta de amor. Já tivemos duelos, guerras santas e demoníacas, autoflagelação, inquisição, apartheid, boemia, ditadura, escravatura, overdose, prostituição lícita. Mas é a primeira vez que a “moda” de sofrer por falta de amor tem reconhecimento global.

Por que insistimos em viver sem amor? Por que insistimos em negar as necessidades básicas humanas, passar por cima de tudo implacavelmente e se molestar emocional, física, psíquica, espiritual e ecologicamente? Tanto desrespeito ao sentimento de humanidade... Sempre tentando ser robôs – dizer não a sensibilidade, não a intuição, não a empatia, não aos ritmos naturais do corpo e da Terra, não ao olhar. E dentro de cada um a terra seca, sem o calor do sol do interesse sensível e real; a terra morre sem a água do amor.

Olhe para mim. Olhe para mim. Eu sou um humano, olhe para mim. Eu preciso ser eu mesmo. Preciso rir, mas também preciso chorar. Preciso gritar e às vezes silenciar. Eu preciso de tempo para descobrir quem sou sem rótulos, mas também preciso de ajuda para aprender a sentir e ser sem morrer. Eu preciso da natureza, pois dela eu vim e ela me nutre de todas as formas possíveis, inclusive através do contato com outros humanos, nascidos da natureza. Olhe para mim. Me veja, me toque, me deixe te tocar. Me sinta e me deixe te sentir. Pois sou feito de você e do Todo, nem mais nem menos. E você é feito de mim e do Todo. Através dos teus olhos, me vejo e me reconheço. Através da sua dor tenho oportunidade de te tocar e me curar.


Olhe para mim. Assim o meu-seu olhar nos ensinará o que é o amor.


Vida viva para todos!
Juliana Maia

segunda-feira, 6 de março de 2017

Espírito voluntário para libertar das frustrações

"Os relacionamentos ficam mais amargos quando esperamos receber do outro um tratamento idealizado, fora do que ele é capaz de dar. Abrimos mão do nosso poder em detrimento do poder (ou da falta de) do outro. O sentimento de ser voluntário inclui a percepção de estar servindo a alguém maior dentro das condições e limites que lhe são apresentados. Este "serviço" é a escolha de abraçar a sua causa pessoal de vida com amor, dando o melhor que é possível dar por ela e aceitando do outro e do mundo a ajuda que for oferecida com leveza e gratidão." 






















Frequentemente me perguntava como me liberar das influências nocivas das expectativas.  A expectativa ou antecipação nos tira do presente e nos coloca num modo de percepção comparativa da realidade, em que acabamos por nos concentrar mais no que falta na realidade em relação ao nosso desejo do que simplesmente perceber as coisas como são, com benefícios e prejuízos por elas mesmas. Os relacionamentos ficam mais amargos quando esperamos receber do outro um tratamento idealizado, fora do que ele é capaz de dar. Isto pode acontecer em qualquer tipo de relação. A expectativa em relação ao outro também atrapalha a realização dos nossos objetivos, já que muitas vezes esperamos que uma série de pré-requisitos externos se realizem para ter nossa satisfação pessoal garantida. Abrimos mão do nosso poder em detrimento do poder (ou da falta de) do outro. 

Enfim, expectativa sempre atrapalha um pouco e produz ansiedade. E portanto era uma reflexão antiga minha. Mas, recentemente, após estudar a vida de alguns missionários - como Madre Tereza de Calcutá – observei que o estado de graça e contentamento vinham de um sentimento de se dedicar a uma causa com uma responsabilidade e um voluntariado que os colocavam na posição de “estar ali pro que desse e viesse”. Eles simplesmente escolhem levar a vida como um voluntário permanentemente a serviço e se alegram com toda ajuda que recebem, já que realizariam suas obras de qualquer forma, mesmo sozinhos.

O sentimento de ser voluntário inclui a percepção de estar servindo a alguém maior dentro das condições e limites que lhe são apresentados. Faz-se o máximo que se pode, mas somente o que se é possível fazer com os recursos que lhe são oferecidos. O voluntário faz parte de uma organização maior que solicita a ajuda e se alegra com a ajuda que foi dada, reconhecendo que o voluntário sozinho não tem condições para dar conta de todo o trabalho que há para ser feito com a perfeição de um profissional. O voluntário é limitado e amoroso, por isso trabalha de graça e se alegra simplesmente por fazer parte de uma causa nobre e colocar a disposição as forças e qualidades de que dispõe, mesmo que poucas ou incompletas.

Essa reflexão e, posteriormente, esta postura diante da vida mudou meu sentir completamente. É verdade  que, somente agora, com certo grau de conforto emocional,  pude alcançar com profundidade esta teoria tão velha e clichê:  “abandone as expectativas”, “não julgue” etc. Afinal é difícil para alguém desnutrido ou doente se tornar um voluntário em uma causa quando ele mesmo precisa de ajuda. Mas, ao mesmo tempo, estamos sempre precisando ser salvos em algum setor, enquanto que em outros somos abundantes de recursos. Então o espírito voluntário pode ser abraçado por todos nós.

No meu caso pessoal, eu precisava abandonar a crítica exagerada nos relacionamentos interpessoais e ter mais espaço mental e emocional para ver o outro pelo que ele é, do jeitinho fofo e amoroso que fazia com meus clientes em consultório rsrs... e o espírito voluntário funcionou bem.

Funciona por que não é pelo outro, é pela Causa e a serviço da Organização Maior. Funciona por que nesse contexto não cabe questionar os recursos.  Todo mundo sabe que é necessário de alguma forma e que o outro que está sendo atendido está ferido e precisa de ajuda. O voluntário também sabe deixar o posto quando é dispensado. Ele não obriga o outro a receber sua ajuda. Ele automaticamente procura saber se há outro serviço a ser feito ou se beneficia alegremente do momento de descanso.
O espírito voluntário funcionou para mim e, acredito eu, para missionários, obreiros, voluntários e santos por que desvinculou a mente de “qual o problema” e reconectou com o “como posso ajudar”. E isso faz toda diferença no desejo de fazer o que é certo, na capacidade de perdoar e amar, na condição de Ser Feliz.

Espero que essa visão lhe possa ser útil em sua caminhada nas relações  com o outro, com a família, com o seu trabalho e com o mundo.


Vida viva para todos!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ser bom ou ser saudável

Aprenda como transitar entre a conformidade e a autenticidade sem acabar com sua  saúde ou com suas relações :-)

PS - A meditação terapêutica mencionada no vídeo acontece todas as sextas, às 19h ao vivo no meu face profissional ;-)

Inscreva-se na página para acessar a lista completa de vídeos e recebê-los em primeira mão ;)

sábado, 1 de outubro de 2016

Quando olhar para a felicidade dói

Às vezes nada é como pensávamos que fosse.

Na verdade quase sempre as coisas são diferentes do que esperamos, mas às vezes essa constatação é bem dolorosa. Especialmente quando percebemos que sacrificamos muito por nada. O prêmio não virá. O reconhecimento não virá. Seu nome não ficará no livro dourado de Deus. O de seu adversário não irá pro inferno, vingando seu sofrimento. Não, nada será como você esperava e o sofrimento dos dias perdidos, do corpo maltratado, não será recompensado.


Criamos laços com o caminho de sofrimento que escolhemos acreditando que seria o certo, que seria o bom, o justo e que alimentaria nosso desejo infantil de reconhecimento externo, de vingança e de comiseração alheia. E quando, após amadurecermos, percebemos que fizemos as escolhas movidos pelas motivações erradas, nem sempre temos coragem de reconhecer.

O pai perdoou a irmã mais nova que engravidou antes de casar e esqueceu o namoro que você terminou a contragosto. A mãe não sobreviveu para ver o brilhante advogado que você se tornou depois de tristemente abandonar o teatro. A sociedade não liga mais pro seu grande amor homossexual e de fato ele casou com outra pessoa enquanto você está envelhece sozinho. A igreja não é mais tão rigorosa, as sobrancelhas finíssimas saíram de moda e o black power voltou depois que seu cabelo não cacheia mais. Aquele amigo que filava aula é seu chefe e ganha mais que você.

E você não tem muita coragem para perguntar o que aconteceu. E perde a fé em Deus e na justiça, e deprime e faz muxoxo com a rotina e com a vida. A vida que você escolheu. E, na melhor das hipóteses, pode ter dito internamente “agora vai TER que ser assim” e sobrevive  forçando uma barra na direção do que não te traz satisfação e felicidade. Muitas vezes criticando ou rejeitando aquelas pessoas que desconfortavelmente passam sendo felizes, “transgredindo” ousadamente diante dos seus olhos.

Não... isso nada tem a ver com Deus ou com Justiça. Tem mais a ver com coragem e auto responsabilidade. Coragem para ser adulto e fazer o que se quer, assumindo as consequências pelos seus atos. E ter sinceridade para olhar para si e saber que o que realmente lhe faz feliz pode não ser convenientemente adequado ao seu sonho infantil de aceitação incondicional, glorificação e pertencimento. Nem sempre se nasce cisne. Às vezes o cisne tem que viver uma vida de patinho escorraçado para encontrar seu verdadeiro lugar no lago.

(Nota: eu estou escrevendo para “você”, mas muitas destas descobertas são muito pessoais, além de terapêuticas)

Muitos dos personagens a quem fazemos reverência na juventude para escolher os  caminhos que consomem anos dolorosos de nossa vida não permanecem ao nosso lado para tirar os espinhos dos nossos pés. Eles morrem, partem ou mudam e esquecem as opiniões que tinham antes. E você dorme sozinho com as dores nas costas, com a gastrite, com as enxaquecas, com o parceiro errado, sonhando com os problemas do trabalho para o qual você não gostaria de ter que voltar.

Então tudo está perdido? Claro que não. 30 anos, 10 anos, 1 ano, 1 dia que lhe reste de felicidade genuína é capaz de fazer tudo valer a pena. Felicidade genuína. Aquela que transcende as opiniões e dogmas e fazem referência ao Deus verdadeiro, autêntico, e misericordioso que existe dentro de você. Basta um filho que testemunhe este novo e verdadeiro “você” e que aprenda que a felicidade é real e é possível, e que depois talvez tenha filhos e netos... e uma geração inteira poderá ser libertada.


Peço-lhe apena uma semana com seu verdadeiro eu, produtivo, criativo, amoroso e feliz. Nunca mais você será o mesmo. Um passo de coragem e um olhar humilde e sincero para si mesmo. Um último mergulho intenso na dor, na dor do tempo perdido, da culpa pelas injustiças cometidas, na raiva por não ter se respeitado... para então abandonar o desvio para sempre e recomeçar. Com uma oportunidade real e genuína de ser você, de ser feliz.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

domingo, 8 de maio de 2016

De mãe para mãe - Coisas que eu queria ter ouvido antes

Desde que minha filha nasceu, muito aprendizado aconteceu. Primeiro um furacão e agora, depois de algumas descobertas, a serenidade no meio do caos e muita diversão. Em homenagem a todas as mães, compartilho este aprendizado com vocês!


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Emoção e Culpa

O que nos faz parar de seguir um caminho positivo, produtivo, de evolução, não são as emoções negativas. São os pensamentos a respeito delas.

A emoção, quando é simplesmente sentida, no corpo, nas vísceras, se extingue.
Os pensamentos de vitimação, de expectativas não cumpridas, de frustração, esses sim transformam uma emoção - que poderia ser naturalmente expressa e exaurida - num ciclo sem fim de disparos químicos cerebrais e corporais. Estes esgotam a energia do sistema individual humano e acabam por sustar a capacidade natural que cada indivíduo tem de se reerguer.
Uma das posturas mentais mais negativas em relação às emoções é a culpa. Culpa por não se sentir satisfeito com determinada condição considerada socialmente como boa; culpa por sentir raiva de pessoas que também amamos; culpa por não ser tão competente quando achávamos correto ser, culpa por ter desejos infantis e egoístas...
Culpa por sermos simplesmente humanos.
Esta culpa corrói a autoestima, dissolve a nossa capacidade de reconhecer nossos pontos positivos. De repente não podemos ser bons e ruins ao mesmo tempo. Não, só podemos ser OU ruins, Ou bons. E não há espaço para o bom se houver o ruim. Então somos horríveis, fracos, malvados, sem salvação. E não há espaço para tal pessoa no mundo.
Tudo pela culpa de sermos humanos. O pecado original personificado...
Se pudéssemos admitir que podemos sentir raiva de manhã, e gritar, e rosnar sozinhos sem pensar muito sobre isso... e depois ir a tarde tomar um café com o nosso desafeto da manhã...
Se pudéssemos tremer e chorar de susto depois de uma batida de carro, mesmo sem vítimas, e depois, relaxados depois de tantos soluços, dormir e acordar alegremente para ir trabalhar...
Se pudéssemos, como quem assiste a um filme, mencionar e demonstrar nossas emoções, simplesmente só pela expressão, sem o objetivo de ferir ou conquistar o outro, e também sem esperar reação específica da outra parte....
Tudo seria mais natural se pudéssemos assimilar que podemos sentir sem necessariamente agir, que podemos ser simultaneamente luz e treva, a todo instante, sem uma condenação instantânea e um rótulo que nos conduz diretamente ao inferno.
O que você sente e o que você faz com os sentimentos são coisas diferentes.
Um ser responsável não é aquele que não sente. Ele sente, reconhece que sente. Sente em todo seu corpo e se aceita, se perdoa. E escolhe agir conforme seus interesses mais profundos e elevados porque sabe que o que sente não é da responsabilidade do outro. Sabe que é seu, diz respeito a sua própria visão de mundo.  Isso por si só já é uma grande luz, dentro do que podemos encontrar no planeta Terra hoje.

Vida viva para todos!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Encontrando o amor verdadeiro

Se você acha que sempre acaba sofrendo por amor, pode estar procurando no lugar errado... Nesta conversa, um recado de Coração para Coração.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A verdadeira função da dor

O texto abaixo é a transcrição original de um vídeo gravado logo após minha meditação matinal, mas em condições ruins para publicação. Resolvi gravar outro para publicar mas como, sinceramente, achei a mensagem original melhor, resolvi publicar mesmo assim pelo menos o texto ;) Segue então tanto o vídeo regravado quanto o texto original logo abaixo.



Precisamos conhecer e honrar a dor da mesma forma que fazemos com todos os nossos processos naturais de nutrição, de excreção, de reprodução... Reconhecer na mesma um instrumento de comunicação da inteligência interna do Ser e uma valiosa ferramenta de evolução. E quando estamos atentos ao conteúdo dessa comunicação ficamos mais capacitados a exercer a nossa felicidade intrínseca.

A gente passa a vida aprendendo que a dor é uma coisa ruim e que a gente não deve sentir dor, ou tristeza, ou mesmo passar por momentos de dificuldade. A dor é vista como uma imperfeição do mundo; algo anti-natural que deveria ser extirpado da existência humana. Sempre que estamos em momentos de crise ou passando por desconforto, nossa tendência é maldizer a vida e nos consideramos infelizes por que sentimos dor. Quem a sente se sente também condenado; à margem do movimento natural das coisas.

A dor não é vista como um processo natural do movimento universal de evolução – um feedback inteligente de que as coisas precisam ser transformadas e ainda a motivação necessária para que a transformação aconteça. E assim ela perde seu significado como parte da felicidade genuína. Sim, a dor é parte da felicidade e é necessária tanto quando momentos de prazer, pois enquanto não se chega ao momento em que as coisas estão desconfortáveis, normalmente não se busca a evolução. Ela indica o momento inevitável de transformação; a oportunidade, assim como a crise nos negócios indica que a empresa precisa de uma adaptação para continuar sobrevivendo no mercado.

Haveria uma estagnação geral no mundo se não houvesse momentos de dor para ninguém. Assim funciona a natureza: a crise leva a uma evolução compulsória, a escassez coordena os movimentos migratórios, que por sua vez coordenam o momento ideal para a reprodução. Mutações genéticas acontecem, os mais fracos se extinguem e as espécies se fortalecem no confronto com as crises que as abalam.

Precisamos re-significar a dor. E isso passa por olharmos de uma maneira completamente diferente o nosso corpo e o nosso coração. Inclui parar de criticar e maldizer o desconforto, parar de tomar rapidamente um remédio ao menor sinal de sofrimento, seja físico ou emocional. Ao contrário, passamos a mergulhar em cada desconforto, entendendo-o como um sinal, uma comunicação. Buscar entender, se aprofundar na linguagem da dor, como ela interfere no nosso pensamento, no nosso corpo. Saber quando ela acontece, em que circunstâncias, o que a faz aumentar e o que faz parar. Eu preciso ser mais autêntico? Eu preciso falar mais? Ou ficar mais em silencio? Preciso escutar mais o meu coração? Ou de repente quando eu controlo um pouco mais meus impulsos eu consigo um resultado melhor, que consequentemente aplaca minha dor? Enfim: se perguntar “Que tipo de mudança de comportamento mental ou emocional altera, extingue ou intensifica a minha dor?”.

Precisamos conhecer e honrar a dor da mesma forma que fazemos com todos os nossos processos naturais de nutrição, de excreção, de reprodução... Reconhecer na mesma um instrumento de comunicação da inteligência interna do Ser e uma valiosa ferramenta de evolução. E quando estamos atentos ao conteúdo dessa comunicação ficamos mais capacitados a exercer a nossa felicidade intrínseca. A dor não precisa deixar de existir para sermos felizes. Ela é parte da felicidade por que nos mantém em harmonia com o movimento universal, sendo que todo o universo está em permanente mutação e evolução. É simplesmente anti-natural acreditarmos que iremos atingir um estado perene e estático de satisfação, de onde a partir dali não existirá mais dor. Isto só acontece nos finais felizes dos antigos contos de fadas da Disney. Na vida real, a felicidade é um movimento de saúde da natureza, e a saúde passa por momentos de crise que conduzem a mudanças evolutivas constantes que fazem com que galguemos cada vez mais graus de consciência e adaptabilidade na conjuntura da transformação universal.


É preciso se permitir, se autorizar a sentir dor. E em sentindo, podemos compreender sua função e agradecer. Logicamente não estou falando de um certo grau de masoquismo, que faz com que sintamos a dor e fiquemos parados, congelados, nos lamentando a respeito dela. Falo aqui de um sentir dinâmico que contempla a dor como uma mola propulsora. Senti a dor que impulsiona e transforma, sendo adequadamente utilizada. Uma abordagem dinâmica da dor faz que com mergulhemos em nosso Ser mais elevado e encontremos a força transformadora que nos trará graus cada vez mais elevados de inteligência, harmonia, plenitude, autenticidade e prazer de viver.

Uma vida mais viva para todos nós!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sofrimento antecipado

Pensar e temer antecipadamente um problema sem foco na solução gera ansiedade e congelamento. Parece que estamos nos preparando para o problema, mas, na maioria das vezes, estamos apenas desgastando energia.

Imaginar um problema antes dele acontecer;  repassar mil vezes uma discussão mentalmente inclusive com falas que não são suas; visualizar a dor antes do procedimento cirúrgico; ficar triste, nervoso com a possibilidade de demissão. Seja de maneira consciente ou inconsciente, é muito comum fazermos uma espécie de treinamento para o sofrimento, antecipando mental e emocionalmente fatos desagradáveis como se isto fosse nos preparar realmente para o que está por vir. Mas será que o desgaste emocional compensa? Taquicardia, falta de ar, tensão muscular, insônia, sudorese excessiva  e até impotência sexual são alguns dos efeitos colaterais que muitas pessoas  experienciam por estarem vivendo momentos de “pré-ocupação”. Todo este desconforto físico acaba por nos atrapalhar de vivenciar o prazer no momento presente; de assimilar que a vida é boa agora e sermos gratos pelo momento atual.

Se há algo que você possa fazer agora para evitar um problema futuro, levante-se e faça.
Se não, deixo aqui uma reflexão até certo ponto matemática para ajudar quem está preso na preocupação a soltar o futuro:
  • ·         Se sua previsão negativa acontecer realmente, você estaria sofrendo duas vezes: como se não bastasse o sofrimento futuro, você ainda estaria sofrendo agora desnecessariamente.
  • ·         Se sua previsão negativa não acontecer, ainda assim você teria sofrido como se ela houvesse acontecido. Sofreria uma vez, e desnecessariamente.
  • ·         Se sua previsão negativa não acontecer, e você conseguir soltar o pensamento dela e viver tudo de bom que a vida lhe oferece neste exato momento, você não sofrerá nem agora, nem depois.

Se houver algo que possa ser feito agora, realize no agora. Somente no agora problemas são resolvidos. No futuro o problema pode não acontecer, ou acontecer de uma maneira que você não esperava, tornando inútil todo o sofrimento que você experimentou no lugar dos momentos felizes que te dariam descanso e força para enfrentar o qualquer dificuldade futura. Pense nisso.


Uma vida mais viva para todos!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ritmo, Ansiedade e Equilíbrio

A vida segue um caminho só de ida e internamente você sabe disso. E seu corpo, sua mente, seu campo emocional começam a dar sinais da necessidade de equilíbrio quando a balança está pendendo só para um lado.


Hoje se fala muito do uso do tempo. Tudo parece mais acelerado hoje em dia: programas de computador,  transito, carros mais velozes, smartphones, etc. Paralelamente as relações também se aceleraram – queremos descobrir rapidamente o parceiro ideal, evoluir rápido dentro de uma empresa, casamentos acabam cada vez mais cedo, as relações amorosas avançam nas fases rapidamente – amizade, paixão, sexo... Tudo muito rápido.


Dentro de nós instalou-se uma urgência e até uma ansiedade em realizar rápido as coisas. As pessoas mais focadas experienciam isso mais intensamente, optando por investir todo ou boa parte de seu tempo no setor da vida onde deseja avançar mais rápido. Este comportamento hoje é até valorizado – “foco”, “vestir a camisa”, “dedicação total”...
Só que não é possível, uma vez que escolhemos viver em um pólo de nossas vidas, voltar atrás após atingir nossos objetivos e reorganizar o que ficou desassistido, abandonado.

O casamento nem sempre se recupera após os 3 anos que você passou ausente de casa para conseguir aquela promoção. As crianças não se congelam aos 5 anos de idade para receberem a atenção que precisam para construir autoconfiança e idoneidade até a adolescência. Seu peso não fica estacionado enquanto você come fastfood para  trabalhar até enriquecer; as cáries não deixam de perfurar por que você não tem tempo para profilaxia...

A vida segue um caminho só de ida e internamente você sabe disso. E seu corpo, sua mente, seu campo emocional começam a dar sinais da necessidade de equilíbrio quando a balança está pendendo só para um lado. Fadiga cronica, ansiedade, tensões musculares, distúrbios do sono, dificuldades de relacionamento e outros já podem ser sinais de que está na hora de mudar de ritmo.

Para se ter uma vida equilibrada, normalmente precisamos desacelerar. Sim, pois se dedicar a tantas coisas ao mesmo tempo exige que você faça um pouco de cada coisa de cada vez, todos os dias. Todos os dias um pouco de atenção a família, um pouco de assistência a saúde e aos esportes, toda semana um pouco de lazer e relaxamento, todos os dias algum ócio para relaxar a mente. No fluir da vida, devemos caminhar junto com todas as coisas que nos são importantes para que não termine ficando para trás aquilo que é  fundamental. Afinal é por essas coisas que nos dedicamos a todas as outras.


Devemos rever nossos conceitos de ritmo, foco e prioridade. Só é realmente vitória se chegarmos ao objetivo tendo conseguido manter tudo o que é essencial para sermos felizes.

sábado, 20 de abril de 2013

Do Ser individual ao Ser feliz - O Corpo 1


Depois de um tempo, o ato de ignorar questionamentos profundos da alma se torna habitual e as dúvidas não falam mais à mente. Parece estar tudo bem, exceto por um sentimento de ansiedade, vazio ou tédio. Neste ponto, observar o corpo pode ser uma ferramenta clara e valiosíssima de autoconhecimento, auxiliando no resgate de sentimentos profundos e possibilitando a solução de insatisfações internas ocultas.

 Você é feliz? Você está satisfeito com a vida que leva hoje? O que falta para você se sentir pleno? O que está sobrando ou faltando em sua vida?

É incrível, mas muitas pessoas não tem coragem ou sinceridade suficiente para se fazerem estas perguntas. Assumem compromissos de toda ordem – profissionais, de relacionamento, com funções sociais, religiosos, ou simplesmente com sistemas de idéias e valores – e depois não conseguem admitir que em determinado momento deixaram se estar satisfeitas com a vida que levam.

O ritmo de vida hoje é veloz. Para se conhecer e se decidir se ama alguém tem que ser rápido. Você faz uma entrevista de trabalho e precisa estar lá amanhã para a próxima fase da seleção. Com menos de 21 anos você já precisa saber o que será em toda a sua vida. Título de Doutorado, melhor antes dos 30. E uma vez feito o compromisso com um sistema de vida, tem que haver investimento, tem que apostar, tem que ser guerreiro. No cotidiano, a produtividade é a palavra de ordem. Não há tempo para se perceber, para refletir, revisar o mapa e se perguntar “Era este caminho mesmo que eu gostaria de estar seguindo?”.

Depois de um tempo, o ato de ignorar questionamentos profundos da alma se torna habitual e as dúvidas não falam mais à mente. Parece estar tudo bem, exceto por um sentimento de ansiedade, vazio ou tédio. É neste momento que, mesmo que desejemos refletir, fica um pouco mais difícil, pois desaprendemos como escutar o coração. Neste ponto, observar o corpo pode ser uma ferramenta clara e valiosíssima de autoconhecimento, auxiliando no resgate de sentimentos profundos e possibilitando a solução de insatisfações internas ocultas.

Frio na barriga quando sente medo, rugas na testa na preocupação, tensão no ombro quando aumentam as responsabilidades, nó na garganta na hora de revelar uma emoção forte... Todo mundo sabe pelo menos um ou dois sintomas físicos com fundo psicológico. O corpo fala mais alto do que a intuição, mais alto do que a mente, e isto o torna uma excelente forma de comunicação para a alma. Habituando-nos a ouvir o corpo, percebemos que a indecisão em alguns momentos é somente superficial – no fundo sabemos o que queremos, só não temos coragem de admitir.

Estou diante de 2 caminhos importantes, preciso decidir a minha vida. Como resolver o impasse quando já avaliei o custo benefício de ambos e parece não haver diferença? O corpo normalmente sabe. Um bom exercício é visualizar cada situação e procurar observar os movimentos corporais a medida que uso a imaginação para simular cada escolha. Os gestos abaixo são comuns quando estamos num caminho que representa risco, possibilidade de conflito e, por tanto, podem sinalizar que o caminho não é o preferido para nosso coração e pode trazer sofrimento. Se questione “Quando penso nessa possibilidade...”:
  • ·         Minhas mãos se fecham e se apertam?
  • ·         Sinto um aperto na boca do estômago ou na garganta?
  • ·         Prendo os lábios, franzo a testa?
  • ·         Suspendo ou encolho os ombros?
  • ·         Cruzo os braços?
  • ·         Prendo a respiração?

Por outro lado, há expressões corporais de receptividade e entusiasmo, também manifestas pelo corpo. Visualizando as alternativas de escolha, você pode observar:
  • ·         Sinto vontade de sorrir
  • ·         Solto um suspiro relaxado? Respiro melhor?
  • ·         Sinto alguma euforia no peito?
  • ·         Meus músculos ou membros – ombros, abdome, mãos, joelhos, testa, maxilar – se descontraem?

Na próxima semana veremos exemplos práticos de como estes movimentos corpóreos podem se manifestar em momentos decisivos de nossas vidas e como observá-los para utilizá-los em favor da felicidade.