sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ser eternamente novo

Hoje vou falar de um tema ainda em digestão dentro de mim.
Ser eternamente novo. Isso para mim se figura uma chave para a evolução. Não há como mudar sem a crença de que se é possível mudar. E não é possível acreditar em mudança se há a crença de que o passado é algo sólido, imutável. Na verdade a própria crença de que se existe um passado é que dificulta qualquer passo inovador em direção a evolução; em direção ao ser que ainda não se sente ser, mas que se deseja, que se necessita ser.

Eu já li inúmeras vezes que o passado, assim como o futuro é apenas uma idéia. O único tempo verdadeiramente concreto é o presente. Assim, a história é uma seqüência de presentes. Se só há o presente, a vida não é uma linha e sim um ponto. E o que você faz neste ponto, o ponto em que você está, é o que faz diferença. Se você, neste ponto em que está, se concebe como alguém com determinado grupo de características, você será este grupo de características por que só o que há é o presente e a estrutura deste momento é o que você faz dele.

A dificuldade desta teoria é que, se nossa realidade é aquilo que fazemos dela e nós estamos sempre acreditando nas mesmas coisas - já que coerência em nosso meio é ser igual sempre - construiremos nosso presente a partir de moldes velhos (ou melhor, reutilizados) sempre. A crença de que somos algo por que vínhamos sendo este algo através dos tempos consolida este algo. E quanto mais o tempo passa, mais isto fica forte, não por que o tempo consolida as coisas, mas por que a idéia de que o tempo consolida manias, caráter, status ou o que for, permanece. Se esta crença - a crença de que o tempo aumenta a força dos vícios e das manias -sobrevive, o passado é reconstruído a cada instante. Sim, reconstruído, já que ele não existe, e sim um presente construído repetidamente, momento após momento.

Não estou negando com este comentário a existência dos efeitos que vêm de causas do passado. Mas se você abstrai a ídéia de passado, de ser alguém que veio do passado sendo algo, e concebe o presente a partir de um ser inteiramente novo, a sua reação às coisas que você colhe do universo será diferente e isso por si só o liberta do ciclo de repetições. Você pode até cometer erros e entrar em dificuldades, mas estes serão diferentes e será um novo aprendizado. Além disto, ver os mesmos fatos com olhos novos permite ver coisas que não se tinha visto antes. Quem sabe assim você não enxerga o caminho correto desta vez?

Admitir que não se É nada, mas sim que se ESTÁ SENDO alguma coisa faz toda diferença. Isto permite que você interaja com as situações usando as habilidades e características que elas exigem e não usando os mesmos modos de ser sempre, que muitas vezes são inadequados para aquele momento específico. Imagine-se dirigindo um carro. O que aconteceria que você andasse na mesma velocidade sempre? "Eu sou uma pessoa rápida. Meu horóscopo diz isto. Meus amigos dizem isso. Eu sempre fui rápida! Então vou andar a 100 km/h sempre." Será que este comportamento funciona? É assim que vivemos nossas vidas todos os dias quando concebemos nosso ser a partir de uma idéia linear de história.

É por isso que milhões de pessoas consideradas sábias dizem: vivam este dia como se fosse o único. Viva o hoje! É por isso que os alcoolicos anônimos usam a estratégia de um dia de cada vez. É difícil carregar todos os dias uma imensa construção de vícios, mágoas e tristezas e ainda conseguir caminhar rumo a uma vida diferente. Vamos pensar "Somente por hoje eu serei alguém melhor. Somente neste momento eu serei alguém que sabe perdoar, serei alguém corajoso, serei alguém que não é tímido, serei alguém mais racional, alguém mais paciente..." Ou seja lá o que você achar necessário! Se você for capaz de ter esta mentalidade sempre - de que você pode ser quem você precisar ser, no momento em que for necessário - a possibilidade de mudança poderá se abrir e seu caminho evolutivo será facilitado por você mesmo.

Vida viva para todos.

6 comentários:

Bhava disse...

O renascimento faz parte de cada dia da nossa vida. Mas nos tornarmos novos sempre, significa morrer a todo instante. Acho que terá que escrever sobre a morte. Pois o novo depende desta morte, mas quem quer morrer realmente? Se renovar e tirar as máscaras? Reconhcer os erros atuais que ainda continuam fazendo? A morte é algo fundamental pra está sua tese.
beijos
te amo
Bhava

Maya disse...

SEu desejo é uma ordem meu amor!!!
Pessoal, próximo texto é sobre a morte nossa de cada dia, de cada hora, de cada segundo ;-)

Anna Rosa disse...

Mais � muito profundo isso,minha gente! � t�o complexa a teoria quanto a pr�tica . Pense que temos realmente o passado completamente justificado na nossa exist�ncia nessa vida; pense que voltaremos outras vezes mais, e temos ent�o o futuro. Assim teremos que interpretar " passado e futuro" numa mesma existencia e coexistindo . O presente ent�o � tudo isso junto. Ou n�o? Somos ou n�o, resultado de vidas sucessivas, traumas, viv�ncias etc. embutidos numa pele como lingui�a? rsrs bjk mamis.

Nanna disse...

shakti, como sempre, os seus textos são um belo e sadio tapa em mim, hehehe
eu sempre tento buscar o novo, mas a verdade é que eu tenho medo dele. me descobri super apegada ao nosso ex-apartamento e a mudança já é amanhã. tenho exatamente um dia para trabalhar essa condição...
saudade de vocês! depois que minha vida voltar ao normal eu poderei dar a devida atenção a vocês!
um beijo grande, nanna.

Marianna disse...

ah, claro, como eu tinha comentado: "eu não sou, eu estou"! pq temos dificuldade em enxergar essa simples modificação em nossas vidas??? aaaaaaaaaaah!

Anônimo disse...

gente,não podemos negar o que fomos. isso é história. E se só o hoje fosse importante, pq que tanta gente ia estudar história. Somos um punhado de nossas expericias, é normal vc levar suas expericnais do passado para sua atitude na vida de HOJE. Enfim,nem li o texto todo...
bjão ju!