terça-feira, 25 de agosto de 2015

Quando caem as máscaras familiares

Esse fim de semana estava em viagem para meu querido mas não menos doloroso curso de terapia familiar sistêmica. Querido por que o aprendizado é grande não só para o meu trabalho, mas também para minha própria realização pessoal, já que a bagagem vivencial do curso é grande. Doloroso por que não há como mexer em família sem mexer em feridas profundas, especialmente entre pais e filhos.
A família é um caldeirão alquímico onde revisamos nossas tendências de alma e nos confrontamos inevitavelmente com inúmeros espelhos nos mostrando o melhor e o pior de nós. As dores e os afetos são mais intensos; os filhos encontram nos pais a matriz de sua forma de ver o mundo - acolhedor, severo, protetor, motivador, repressor... E, somente pela cura e transmutação destas matrizes, podemos ser livres par ver o mundo com olhos de franqueza, com menos idealizações e expectativas desnecessárias. Um mundo mais equilibrado, nem monstruoso nem maravilhoso, como nós mesmos - nem santos nem demônios; apenas humanos.
E no confronto com as máscaras; na desconstrução da idealização parental, o filho pode ser humano e falível como seus pais. E, estando crescido, estará livre para ser quem realmente é, amadurecer o que julgar necessário e perdoar os que lhe precederam permitindo-lhes abandonar o fardo de serem heróis.
Apenas seres humanos transformam-se e evoluem. As máscaras, rígidas em sua própria natureza, permanecem estáticas por toda vida.
Uma vida mais viva para todos!

Um comentário:

Marcos Belo disse...

Ainda mais forte é o aprendizado no casamento, quando temos que conviver com um pessoa que não é parente. Com os filhos, apesar de ser uma obrigação, seja divina, seja jurídica, cuidar deles, é com amor e dedicação, pois vale a pena. Já o casamento não é obrigação, e maior é o desafio pra muitos, quando precisamos, cuidar, proteger e educar nossos filhos depois de uma separação conflituosa. Todos sofrem, mas quem sofre mais são os rebentos. E essa desconstrução, com a consequente reconstrução, é dura pra todos.

Contudo, é preferível uma relação parental sem acordo entre os pais, que uma convivência forçada e dolorosa.